Quando chegam os 30 graus, trocar umas calças por uns calções parece uma decisão óbvia.
Menos tecido significa menos calor.
Mas no vestuário de trabalho a resposta não é assim tão simples.
Os calções têm uma vantagem evidente: deixam uma parte maior da perna descoberta e podem proporcionar maior sensação de frescura. Em determinados trabalhos e ambientes, podem ser uma solução perfeitamente adequada.
O problema é que uma peça de vestuário de trabalho não serve apenas para controlar a temperatura.

As calças também criam uma barreira entre o corpo e o ambiente. Protegem a pele do contacto com superfícies, sujidade, pequenas abrasões e exposição direta ao sol. Dependendo da atividade, essa proteção pode ser mais importante do que a vantagem térmica proporcionada pelos calções.
É aqui que a escolha deixa de depender apenas da temperatura e passa a depender do trabalho.
Pensemos, por exemplo, numa pessoa que trabalha durante várias horas ajoelhada, que movimenta materiais ou que entra frequentemente em contacto com superfícies abrasivas. Nesse caso, ter as pernas protegidas pode fazer sentido mesmo num dia quente.
Por outro lado, alguém que trabalha num ambiente controlado, sem estes riscos, pode beneficiar claramente da utilização de calções.
Há ainda uma terceira possibilidade que por vezes esquecemos: melhorar as próprias calças.
Hoje é possível desenvolver vestuário de trabalho com tecidos mais leves, construções respiráveis, fibras que facilitam a gestão da humidade, zonas elásticas e sistemas de ventilação. Assim conseguimos manter uma maior área do corpo coberta sem utilizar necessariamente uma peça pesada e quente.
E isto leva-nos novamente a uma questão que aparece muitas vezes quando falamos de vestuário profissional: não existe uma solução certa para todas as pessoas e para todos os trabalhos.
Até os bolsos entram nesta decisão. Um trabalhador que transporta ferramentas, telemóvel, equipamentos ou outros objetos precisa de uma construção diferente de alguém que apenas necessita de uma peça confortável. Retirar comprimento às calças não resolve necessariamente as restantes necessidades da peça.
Quando existe vestuário de proteção certificado, a questão é ainda mais importante. Nesse caso, alterar a forma como a peça é utilizada ou substituir uma peça prevista pelo conjunto pode interferir com o nível de proteção para o qual o vestuário foi desenvolvido.
Por isso, na BIWEAR preferimos começar por uma pergunta muito simples:
O que é que esta pessoa vai fazer enquanto estiver vestida com esta peça?
Só depois devemos discutir tecido, gramagem, bolsos, calças ou calções.
Porque no vestuário de trabalho, a peça mais fresca não é necessariamente a melhor. A melhor é aquela que responde corretamente ao trabalho que vai ser feito.

