Duas camisas podem indicar 100% algodão na etiqueta e, mesmo assim, ter toque, peso, transparência, aspeto e manutenção muito diferentes. A composição identifica a fibra. Não explica como essa fibra foi transformada em tecido.

Na camisaria, a construção faz uma diferença clara. A popeline tende a apresentar uma superfície lisa e regular. O Oxford tem uma textura mais marcada e um aspeto normalmente menos formal. O twill de camisaria cria a diagonal típica da sarja e pode oferecer um cair mais fluido ou um toque diferente, dependendo dos fios e da densidade.
Também importa a finura do fio e quantos fios existem numa determinada área. Um tecido construído com fios mais finos e uma densidade elevada pode ficar leve e compacto. Outro, com fios mais grossos, pode parecer mais encorpado mesmo mantendo a mesma composição.
Depois entram os acabamentos. Um tratamento easy-care pode reduzir a tendência para vincar e facilitar a passagem a ferro. Outros acabamentos alteram toque, estabilidade ou aparência. Por outro lado, um tecido muito leve e claro pode precisar de maior densidade para controlar a transparência.
No vestuário corporativo, estas diferenças têm consequências práticas. Uma camisa para hotelaria, uma camisa de escritório e uma camisa usada num ambiente com maior esforço físico não têm necessariamente de partir da mesma construção. A imagem importa, mas também contam lavagem, conforto, frequência de uso e manutenção.
Por isso, “100% algodão” não chega para comparar duas propostas. Se queres perceber o que estás realmente a comprar, tens de olhar para o tipo de tecido, construção, peso, acabamento e utilização prevista. A composição é apenas uma linha da ficha técnica.



