Duas peças podem ter exatamente a mesma gramagem e, quando as vestimos, uma parecer muito mais quente do que a outra. Isto acontece porque o conforto térmico de um tecido não depende apenas da sua espessura ou do seu peso.
A composição é importante, mas também não conta a história toda. É comum associarmos algodão a frescura e poliéster a calor, quando na realidade existem tecidos de poliéster desenvolvidos precisamente para utilização em ambientes quentes e tecidos de algodão que podem tornar-se bastante desconfortáveis quando acumulam humidade.
A diferença começa na forma como o tecido é construído.

Um tecido mais aberto permite maior circulação de ar entre o exterior e o corpo. Outro, com a mesma gramagem mas uma construção mais fechada, pode reter mais ar e dificultar a libertação do calor. Por isso, olhar apenas para os gramas por metro quadrado não é suficiente para perceber como uma peça se vai comportar.
Depois temos a humidade.
Quando trabalhamos, o corpo transpira para conseguir baixar a temperatura. A partir desse momento, o comportamento do tecido passa a ser fundamental. Alguns materiais absorvem a humidade e ficam molhados durante bastante tempo. Outros são desenvolvidos para transportar essa humidade para a superfície exterior, onde pode evaporar mais rapidamente.
É aqui que encontramos uma diferença importante entre o algodão e algumas fibras sintéticas.
O algodão consegue absorver uma quantidade significativa de humidade, o que inicialmente pode transmitir uma sensação agradável. O problema surge quando fica saturado: demora mais tempo a secar e o tecido molhado permanece em contacto com o corpo. Um bom tecido técnico de poliéster absorve menos água na própria fibra e pode ser construído para facilitar o transporte da humidade e a secagem.
Isto não significa que poliéster seja sempre melhor do que algodão. Significa apenas que não devemos escolher um tecido olhando apenas para a composição.
Também por isso existem tantas misturas de fibras no vestuário de trabalho. Algodão e poliéster, por exemplo, podem ser combinados para procurar um equilíbrio entre conforto, resistência, gestão da humidade e durabilidade.
Há ainda outro elemento muitas vezes esquecido: a própria construção da peça. Uma T-shirt justa, um polo ou um casaco com várias camadas comportam-se de forma diferente, mesmo quando utilizam tecidos semelhantes. Zonas de ventilação, folgas e até a localização dos bolsos podem influenciar a capacidade de libertar calor.
No vestuário de trabalho, esta questão ganha importância porque não estamos a falar de utilizar uma peça durante alguns minutos. Quem trabalha num armazém, numa oficina, numa cozinha ou no exterior pode passar oito horas com a mesma roupa.
E no verão, alguns graus de diferença na sensação térmica deixam rapidamente de ser um detalhe.
Na BIWEAR, quando escolhemos um tecido para uma peça de vestuário de trabalho, a gramagem é apenas um dos dados que analisamos. Composição, construção, respirabilidade, resistência e utilização prevista têm de ser consideradas em conjunto.
Porque um tecido mais leve pode não ser necessariamente mais fresco. E um tecido mais pesado não tem obrigatoriamente de ser mais quente.
O tecido certo depende sempre daquilo que lhe vamos pedir.

