A diagonal que vemos numa sarja não é um desenho aplicado ao tecido. É o resultado da forma como os fios se cruzam. E essa pequena diferença de construção ajuda a explicar porque encontramos sarja em tantas calças, casacos e peças de vestuário de trabalho.

Num tecido, os fios da teia e da trama podem cruzar-se de várias formas. Na sarja, esse cruzamento avança de forma regular, criando o efeito diagonal característico. O exemplo mais conhecido fora do vestuário profissional é o denim.
Mas dizer apenas que uma peça usa sarja diz pouco. Podemos ter sarjas leves para peças de imagem, sarjas médias para utilização diária e construções mais pesadas para ambientes exigentes. A composição também muda o comportamento: mais algodão tende a alterar toque e absorção; mais poliéster pode favorecer estabilidade, secagem e resistência ao uso. Se juntarmos elastano, ganhamos elasticidade, mas introduzimos outras variáveis de manutenção e durabilidade.
Também não devemos confundir gramagem com qualidade. Duas sarjas com o mesmo peso por metro quadrado podem ter fios, densidades, acabamentos e resistências diferentes. A construção tem de ser escolhida para a utilização prevista.
É por isso que, quando desenvolvemos umas calças de trabalho, a pergunta não deve ser apenas «qual é a gramagem?». Devemos perguntar onde vão ser usadas, com que frequência exigem lavagem, que movimentos fará quem as utiliza e que equilíbrio se pretende entre imagem, conforto e resistência.
