Quando está calor, vestir uma T-shirt parece suficiente para proteger do sol. Afinal, se o tecido tapa a pele, os raios ultravioleta não deveriam conseguir passar.
Mas não é assim tão simples.
Os tecidos conseguem efetivamente bloquear uma parte da radiação UV, mas nem todos oferecem o mesmo nível de proteção. Duas T-shirts aparentemente semelhantes podem comportar-se de forma muito diferente quando expostas ao sol.

A primeira diferença está na construção do tecido.
Quanto mais aberta for a estrutura, maior é a possibilidade de a radiação atravessar os espaços existentes entre os fios. Um tecido com uma construção mais compacta tende, em condições comparáveis, a criar uma barreira maior.
Mas há outros fatores.
A composição das fibras, a cor, a espessura e determinados acabamentos também podem alterar a proteção oferecida pelo tecido. Até o estado da própria peça é relevante: desgaste, estiramento e outras alterações provocadas pelo uso podem modificar o seu comportamento.
É por isso que estar vestido não significa automaticamente estar protegido.
No vestuário desenvolvido especificamente para exposição solar podemos encontrar a indicação UPF — Ultraviolet Protection Factor. É uma classificação aplicada aos têxteis que permite avaliar a quantidade de radiação ultravioleta que consegue atravessar o material.
Por exemplo, uma peça classificada como UPF 50 permite a passagem de aproximadamente 1/50 da radiação UV incidente, ou cerca de 2%.
É um conceito semelhante ao fator de proteção que conhecemos dos protetores solares, embora a forma de avaliação seja diferente porque estamos a falar de um tecido.
No vestuário de trabalho esta questão é especialmente importante para quem passa grande parte do dia no exterior: construção, manutenção, logística, agricultura ou outros trabalhos realizados com exposição solar prolongada.
E aqui aparece um desafio interessante para quem desenvolve vestuário: proteger sem tornar a peça demasiado quente.
Seria relativamente fácil aumentar a barreira criando simplesmente tecidos muito pesados e fechados. O problema é que, num dia de verão, isso poderia tornar a peça desconfortável.
É por isso que os tecidos técnicos procuram equilibrar proteção, respirabilidade, peso e gestão da humidade. Mais uma vez, não existe uma característica isolada que determine se um tecido é bom ou mau.
Na BIWEAR analisamos o vestuário desta forma: primeiro é preciso perceber onde e como a peça vai ser utilizada. Só depois faz sentido escolher o tecido e as características necessárias.
Uma T-shirt branca fina e uma T-shirt técnica podem cobrir exatamente a mesma área do corpo.
Isso não significa que ofereçam a mesma proteção.

